RICARDO DELGADO: COMPROMETIMENTO COM O ESPORTE E ENTREGA AOS CUIDADOS COM A MÃE

RICARDO DELGADO: COMPROMETIMENTO COM O ESPORTE E ENTREGA AOS CUIDADOS COM A MÃE
  • 25/02/2019
  • Notícias

A cativante e motivadora história do Número 1 do Ranking PEC Brasil

  • Idade: 28 anos
  • Altura: 1,98
  • Peso: 101 Kg
  • Reside em: Ipatinga (MG)

Ricardo Delgado foi um dos principais destaques da temporada 2018 do Circuito Brasileiro de Peteca, vencendo 12 dos 13 torneios disputados, além de inúmeros torneios independentes em que foi convidado a participar. Com os resultados, Ricardo e seu parceiro Lucas Ribas fecharam o ano em primeiro lugar do Ranking PEC Brasil, conquistando também o título (até então inédito) de Campeões Brasileiros (Star PEC) na Categoria PRO.

“Intrépido”, como é conhecido nas transmissões da TV Peteca, tem como marca registrada as subidas à rede, surpreendendo os adversários com Petecas de mais de 3 metros de altura e com altíssima potência.

Para conhecer um pouco mais sobre este novo ídolo da Peteca, confira a entrevista a seguir:

  • Quando e como tudo começou na Peteca?

Aos 16 anos. Eu frequentava o Parque Ipanema sempre... e sempre gostei de esportes ... jogava vôlei, futebol, e o que mais tivesse. Um dia, aos 16 anos, não estava tendo o futebol e então me chamaram para jogar Peteca. Mesmo estando com o braço quebrado fui jogar Peteca, pois era muito “fominha” e não queria ficar parado. Assim comecei a jogar, e gostava tanto que fui deixando o futebol de lado.

  •  Quando decidiu jogar em alto rendimento?

Em Ipatinga, sempre tiveram grandes e bons torneios no Ipaminas, sob direção do Nivaldo. Entre 2007 a 2012, vieram grandes atletas na Copa Ipaminas, como Pimenta, Pelé, Vitinho, João Pedro, Celton... então, tínhamos a oportunidade de vê-los jogar e também de jogar com eles. Isso me incentivou a desafiá-los.

  • Quem o inspirou e o inspira (da Peteca e em outros esportes)?

Um cara que incentivou muito foi o Léo, do Parque Ipanema, e o Nivaldo, incentivador da região. Pelezinho foi um cara que me inspirou, porque era o cara a ser batido na época. Ficamos surpresos quando vimos alguém jogar naquele nível. Admiro bastante a garra do João Pedro e é um atleta que me inspirou muito, pois foi um espelho para meus treinamentos.

  • Você sofreu uma grave lesão no joelho em 2012. O que aconteceu e como você se recuperou?

Em 2012, tive a oportunidade de jogar com o Izaac, de Montes Claros, em torneios fora de Ipatinga. Estávamos com um bom jogo no Campeonato Mineiro daquele ano, mas no primeiro jogo, contra Vitinho e Pedro Henrique, aconteceu a lesão. Vencemos o primeiro set e estávamos vencendo o segundo, quando sofri um rompimento de ligamento cruzado (LCA), no joelho esquerdo.

Precisei passar por uma cirurgia que, a princípio, foi muito bem sucedida. Porém, por inexperiência e impaciência, voltei às quadras antes do período recomendado e com isso sofri nova lesão em 2013, no mesmo joelho. Fiz então nova cirurgia, mas desta vez comecei a malhar com acompanhamento de um profissional, “personal trainer”, que me ajudou a desenvolver o condicionamento físico e fortalecimento muscular que tenho hoje.

Após 1 ano e 4 meses, já em 2015, voltei às quadras e participei de novo torneio em Ipatinga, onde joguei pela primeira vez contra o Lucas, meu atual parceiro. Naquele ano, ganhei de Lucas e Pimenta e perdemos na final para Vitor e Celton. Fiquei animado pelo bom desempenho no torneio e recebi o convite para disputar torneios fora de Ipatinga novamente.

  • Qual a sua frequência de treinos e local?

Local de treino é o Parque Ipanema, onde treino pelo menos 4 vezes por semana (com ou sem chuva...rsrs), com o Fabrício* (Fabrício Pidner é Educador Físico, atleta de Peteca com presença entre os Top 20 de três Rankings: PRO, Adulto e Master I, e treinador).

  • Dos 27 títulos conquistados em torneios do Circuito PEC BRASIL, qual te marcou mais e por qual razão?

Com certeza, foi a Liga Brasileira de Peteca de 2015. Em 2013, quando eu ainda estava lesionado, fui ao Minas Shopping para assistir à Liga. Assisti ao jogo de Bruno / Coroinha / Robinho contra João Pedro / Eduardo / Paraíba e nunca imaginei jogar neste nível.

No ano seguinte, não houve a competição, mas em 2015, com João Pedro e Vitor no auge da formação, até então invictos, fomos para a grande final e vencemos por 2 sets a 1, onde também fui eleito o melhor jogador da Liga. Foi sem dúvidas a vitória mais emocionante da minha carreira.

  • Metas para 2019?

Tenho referências no esporte que me inspiram e, por isso, busco ser o melhor em tudo que eu faço. Para este ano, quero continuar evoluindo e ser melhor do que fui em 2018. 

  • Você já era muito conhecido no meio esportivo por seu desempenho. Todavia, em 2018, com a publicação do vídeo da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), você se tornou conhecido também pela dedicação à sua mãe, comovendo a todos. Fale-nos sobre isso.

Em agosto de 2017, minha mãe passou por um AVC e, no hospital, descobrimos um câncer. Ela passou por uma cirurgia para retirada do tumor. Neste período, saí do meu trabalho para poder cuidar dela e acompanhá-la no hospital em tempo integral. A cirurgia foi bem sucedida e, após a retirada, teve a primeira alta. Porém, alguns meses depois, já em casa, ela teve um segundo AVC, ainda mais forte que o primeiro, limitando consideravelmente os seus movimentos.

  • No início deste ano, você postou numa rede social a notícia de que sua mãe teve um novo câncer e de que o tratamento irá requerer atenção especial, bem como medicação, procedimentos e cuidados específicos. Como você está lidando com esta situação?

 

"Todos sabem da batalha q minha mae trava a 2 anos, entre altos e baixos. Recentemente tivemos a noticia de um novo câncer, e, com isso, algumas coisas mudadam no que se refere a medicação, procedimentos e alimentação. Etc. Tdo para q ela consiga vencer mais essa.....
Foi então q surgiu a idéia de uma ação em Prol do tratamento dela. Com a ajuda de alguns amigos, essa rifa foi criada, e conto com a ajuda de todos vcs, para darmos o suporte q minha pituquinha merece. Para adquiri, e só falar comigo no privado. Desde já agradeço e boa sorte a todos.

Deus no comando sempre!" - Postagem no Facebook (09 Fev 2019).

Em meio a este turbilhão de emoções e dificuldades, o que me ajudou a manter as energias e espairecer os pensamentos foi a Peteca, sendo que, nos horários que podíamos, combinava de ir treinar no Parque Ipanema com o Fabrício. Chegamos a ir treinar às 23h, pois “era o horário que dava”.

Mesmo em meio às dificuldades, nunca deixei de treinar. A Peteca foi um dos fatores que me ajudaram a superar a situação.

De lá pra cá foram novos desafios. Nossa rotina mudou muito... As adversidades nos transformaram. Eu era uma pessoa impaciente e não expressava meus sentimentos. Hoje sou muito mais atencioso e carinhoso, e não deixo de dizer “eu te amo”. Fui moldado pela situação.

  • Qual recado você quer deixar para o público que te acompanha e para aqueles que estão começando na modalidade?

Eu passei a me dedicar ao esporte de 2017 em diante, com mudança de hábitos e rotinas de treinamentos, focando em superar os grandes adversários de então. Foi aí que evoluí. Aquele que treina, sempre estará um passo à frente dos demais. Dessa forma, minha dica para aqueles que querem se destacar no esporte, é ter disciplina e dedicação para o treinamento.

Para concluir, Ricardo Degaldo reforçou o agradecimento a todos os que o apoiaram desde o início da carreira como atleta bem como para dar melhores condições no tratamento de saúde de sua mãe. Foram inúmeras manifestações de apoio em toda a comunidade ligada à Peteca, promovida voluntariamente pelos amigos, além do patrocinador que o incentiva e apoia em todos os torneios desde 2016, Fábio Emerick (Café Emerick).

“Se você quer chegar onde a maioria não chega, faça o que a maioria não faz.”

FOTOS